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Comandos vs. Sinais

Quando abordamos o treino de cães, é importante fazer uma distinção entre "comandos" e "sinais". Podem parecer meras palavras que em nada condicionam o treino e a nossa relação com os cães, mas na verdade dizem muito sobre as nossas exigências para com os mesmos.

Para treinar um cão, é necessário haver uma comunicação, entre o Tutor (remetente da informação) e o cão (destinatário dessa informação). O que pretendemos é que o cão, através de um sinal específico da nossa parte, aprenda e fique condicionado a executar determinada ação/comportamento.


Essa comunicação pode ser feita através de um "comando" ou através de um "sinal".


Quem aborda o treino, sob forma de "comandos", pretende emitir uma ordem para o cão executar o comportamento. Está a exercer uma autoridade, e a exigir a respetiva resposta comportamental associada! Na maioria dos casos, o cão não tem margem para erros, "ou faz a bem ou vai fazê-lo com represálias". É uma abordagem com uma forte componente ameaçadora e de intimidação, que consequentemente exerce algum medo e stress sobre o cão! Neste tipo de abordagem, exige-se a "perfeição" e uma eficácia de 100%, mesmo que isso implique negativamente o bem estar animal e possa corromper o vínculo tutor/cão!


Quem aborda o treino, sob forma de "sinais", tem uma visão mais antrozoológica, uma abordagem mais benevolente para com o cão. Não existe exigência neste tipo de treino, existe sim, uma intenção de incentivar, encorajar e motivar o cão a executar determinado comportamento, pois podem existir consequências positivas associadas. Deve ser uma prática de mútuo benefício. Este tipo de abordagem ajuda a fortalecer o vínculo tutor/cão, e tende a influenciar uma colaboração motivacional por parte do cão no treino.


O cão nunca foi, não é, nem nunca será, um Robot. Estamos a lidar com seres vivos sencientes e emocionais, que tal como nos não são perfeitos!

O treino não é algo automatizado, na qual carregamos num botão, e o cão executa o comportamento associado.

Treinar um cão, tem as suas dificuldades, principalmente quando trabalhamos em ambientes estimulantes, em que o meio envolvente exerce tentações e interesses sobre o cão!


Enquanto seres imperfeitos, não devemos exigir a perfeição de outros seres.

O treino não deve ser visto como um serviço militar. O treino pode e deve ser divertido, para que todos os envolvidos possam tirar partido e proveito do mesmo.


A partir de hoje, "peça" ao seu cão para executar o comportamento, não "ordene"! Conquiste a motivação e interesse do seu cão, em colaborar consigo. Não o force a apresentar uma ação que ele não quer apresentar no momento!

É bem mais valioso e gratificante termos um cão obediente motivado, do que um cão obediente desmotivado!


Se tiver este artigo em consideração, garanto como vai passar a olhar para o seu animal de outra forma! Vai passar a ver o seu fiel companheiro como um ser vivo, que também pode "errar" e apresentar comportamentos "indesejados", e não há nada de errado e de anormal nisso. Na verdade ele é um cão, um ser vivo, não é um robot!

Patrick Rocha - Todos os direitos reservados

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