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Ensine o seu cão a relaxar

Ensinar um cão a relaxar, é um exercício de extrema importância para adicionar ao repertório do seu cão. Este exercício vai influenciar positivamente o bem estar do seu animal, tendo em conta que, através do mesmo, podemos conseguir uma homeostase biológica. Cães com níveis de energias elevados, cães ansiosos e cães com problemas comportamentais, são cães que não conseguem permanecer calmos e relaxados num determinado contexto, e com os passos que vou descrever abaixo, podemos alcançar esse mesmo feito.



O que vai necessitar:

  • uma superfície (lisa, confortável e de tamanho adaptado ao cão) especifica para este exercício, pode ser uma manta ou uma toalha

  • recompensas: ração habitual para contextos menos estimulantes e/ou petiscos apetitosos para contextos mais estimulantes

  • uma trela, uma coleira ou peitoral

  • 10 minutos diários

  • paciência, dedicação e empenho

  • inicialmente, um local calmo sem estímulos envolventes (ex. sala de estar)

Passo a passo

1º Prepare o cenário enquanto o seu cão está noutro contexto. Coloque a manta no solo, em frente ao sofá por exemplo, e espalhe algumas recompensas sobre a manta. 2º Deixe o seu cão entrar na sala e deixe-o explorar o espaço. Não o incentive a encontrar as recompensas, o objetivo é ele encontrá-las por mérito próprio, usando o seu olfato. Repita este passo 3 ou 4 vezes por dia, isto durante os primeiros 3 dias. A finalidade é o cão ir logo em direção à manta, assim que entrar na sala e, desta forma vai criar uma associação positiva com a mesma. 3º Ao quarto dia, prepare o cenário como habitual, vá ter com o seu cão, coloque-lhe a trela e entre na sala calmamente. Se o passo anterior estiver bem condicionado, ele irá puxar em direção à manta, acompanhe-o. Enquanto ele come as recompensas, sente-se no sofá e mantenha a trela na mão ou prenda-a com o pé. A trela deve ter um comprimento suficiente para o cão ter alguma margem de manobra, mas não muito longa, de forma a que não se consiga distrair e afastar muito da manta. O uso da trela, neste caso, é importante para condicionarmos o quanto antes este exercício à trela, importante para quando numa fase mais avançada generalizarmos o exercício noutros contextos. 4º Enquanto está no sofá, faça de conta que tem um cão invisível à sua frente. Relaxe, sente-se confortavelmente e se o seu cão ladrar, saltar, pedir a sua atenção, simplesmente segure na trela e ignore-o. Quando o cão perceber que você não lhe liga nenhuma, ele vai acabar por acalmar e oferecer comportamentos alternativos, como o senta ou o deita. Nestas situações, reforce esses comportamentos. Mantenha-se sempre o mais calmo possível, mesmo nos momentos de dar o reforço. Se usar um marcador verbal, use um tom de voz calmo. O objetivo é o cão perceber que “Quando o meu tutor não me presta atenção, eu devo relaxar e acalmar-me, pois isso costuma trazer-me vantagens” 5º Nesta fase, os comportamentos alternativos, devem ser reforçados com uma frequência constante e intercaladas com um curto espaço de tempo. Por exemplo, se o seu cão estiver deitado na manta, coloque o reforço no meio das pernas da frente, aguarde 3 segundos, se ele permanecer deitado coloque outro e assim sucessivamente. Gradualmente vá aumentando, o intervalo de tempo entre os reforços. Pratique isto durante vários dias. Nesta etapa o seu cão deve perceber “Basta estar relaxado e sou reforçado” 6º Este é o passo mais importante de todo o processo. Na etapa anterior ensinamos o cão a relaxar e a acalmar-se, mas tendo em conta o historial de reforços, o cão vai estar focado em si, na expectativa de um próximo reforço. O que pretendemos realmente, é conseguir com que o cão relaxe sem estar focado em nada (nem em si nem na comida). Sendo assim, nesta fase vai começar a reforçar os comportamentos de relaxamento do seu cão, sempre que ele estiver desfocado de si, por exemplo, o cão deitado a olhar para a parede. Se o seu cão acabar por adormecer, não reforce, pois isso iria despertá-lo. 7º Quando perceber que o seu cão já associa a manta ao relaxamento, pode e deve começar a generalizar o exercício noutros contextos de casa. Por exemplo, coloque a manta na cozinha, enquanto prepara o jantar e se o seu cão optar por se deitar lá por iniciativa própria, reforce-o. 8º Por fim, generalize o exercício no meio ambiente e gradualmente insira-o em contextos cada vez mais estimulantes. Por exemplo, se o seu cão fica muito ansioso quando está no parque, treine-o a relaxar na manta à porta de casa, depois generalize numa zona mais afastada de casa, depois pratique numa zona desconhecida sem estímulos envolventes.... e por fim generalize no parque. Leve a manta, reforços (neste caso de alto valor), coloque a trela, sente-se num banco, coloque a manta no chão, e se todas as etapas anteriores estiverem bem condicionadas, o seu cão vai acabar por relaxar na manta – a este processo gradual dá-se o nome de dessensibilização sistemática. Numa fase mais avançada deste processo, poderá também condicionar uma palavra para comunicar ao cão o que pretende. Exemplo, assim que colocar a manta no solo, use a palavra “Relaxa” e continue o treino. Este exercício pode resolver problemas como:

  • O seu cão está constantemente a “pedinchar” à mesa quando estão a jantar! Coloque a manta próximo da mesa e reforce-o por permanecer lá calmamente.

  • O seu cão torna-se “chato” quando recebe visitas em casa! Coloque a manta junto ao sofá e faça de conta que está a treinar como habitualmente.

  • O seu cão fica ansioso em espaços públicos! A manta vai ajudá-lo a acalmar-se e a relaxar nesses contextos.

  • O seu cão apresenta comportamentos agressivos na presença de outros cães ou pessoas estranhas! Com a utilização da manta vamos ensiná-lo a relaxar e consequentemente a apresentar comportamentos alternativos na presença dos mesmos (nestes casos podemos e devemos reforçar também o foco no tutor)

Se não gostar da ideia de usar uma manta, poderá praticar todo processo sem este equipamento, no entanto, o processo poderá não ser tão óbvio para o cão e o condicionamento será mais difícil de alcançar. Opcional: Acariciar e/ou massajar (movimentos lentos e suaves) o seu cão enquanto este relaxa, pode ser uma mais valia em alguns casos mas noutros casos não será tão benéfico. Se o seu cão se sentir confortável com as massagens e se essa sua participação acelerar o processo de relaxamento, pode e deve massajá-lo enquanto este está na manta. Por outro lado, se ao massajar o seu cão, reparar que ele desperta e fica mais agitado, evite aplicar esta ferramenta.

Patrick Rocha - Todos os direitos reservados

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